terça-feira, 30 de outubro de 2012

Análise comparativa entre O narrador e o Narrador Pós-Moderno




Para Walter Benjamin a narrativa está próximo de desaparecer, pois hoje em dia as pessoas não sabem narrar corretamente devido a dificuldade de interrelacionar experiências vividas.
“Uma das causas desse fenômeno é óbvia: as ações da experiência estão em baixa, e tudo indica que continuarão caindo até que seu valor desapareça de todo. Basta olharmos um jornal para percebermos que seu nível está mais baixo que nunca, e que da noite para o dia não somente a imagem do mundo exterior, mas também a do mundo ético sofreram transformações que antes não julgaríamos possíveis.” (Citação retirada do texto em PDF)
Ainda para Benjamin, a decadência se deu principalmente com o surgimento do romance, pois o mesmo para ser difundido é necessário o surgimento da indústria da impressão. Afirma que o romance distingue dos contos, das lendas entre outros por este não ter sua origem na tradição oral.
“O primeiro indício da evolução que vai culminar na morte da narrativa é o surgimento do romance no início do período moderno. O que separa o romance da narrativa da epopéia no sentido estrito é que ele está essencialmente vinculado ao livro. A difusão do romance só se torna possível com a invenção da imprensa. A tradição oral, patrimônio da poesia épica, tem uma natureza fundamentalmente distinta da que caracteriza o romance. O que distingue o romance de todas as outras formas de prosa - contos de fada, lendas e mesmo novelas - é que ele nem procede da tradição oral nem a alimenta. Ele se distingue, especialmente, da narrativa. O narrador retira da experiência o que ele conta: sua própria experiência ou a relatada pelos outros.” (Citação retirada do texto em PDF)


Benjamin diz que os acontecimentos são transmitidos de geração em geração formando uma teia coesa por meio da reminiscência. E tem a memória com elemento fundamental para tecer esta teia que forma a narrativa.
“A reminiscência funda a cadeia da tradição. Que transmite o acontecimento de geração em geração. Ela corresponde à musa épica no sentido mais amplo. Ela inclui todas as variedades da forma épica. Entre elas, encontra-se em primeiro lugar a encarnada pelo narrador. Ela tece a rede que em última instância todas as histórias constituem entre si. Uma se articula na outra, como demonstraram todos os outros narradores, principalmente os orientais. [...] Tal é a memória épica e musa da narração.” (Citação retirada do texto em PDF)

Silviano Santiago ao falar sobre narrador, caracteriza três estágios que passa a história do narrador:
1º “O narrador clássico, cuja função é dar a seu ouvinte a oportunidade de um intercâmbio de experiências.”
2º “O narrador do romance, cuja função passou a ser a de não mais poder falar de maneira exemplar ao seu leitor.”
3º “O narrador que é jornalista, ou seja, aquele que só transmite pelo narrar a informação, visto que escreve não para narrar a ação da própria experiência, mas o que aconteceu com x ou y em tal lugar ou hora.” (SANTIAGO, 2002, p. 45-46)
Este terceiro estágio é, segundo Silviano Santiago, desvalorizado por Benjamim e valorizado pelo narrador pós-moderno. Santiago afirma que a sociedade evoluiu a tal ponto que as narrativas não podem mais serem passadas de pessoas a pessoas, devido a complexidade das relações sociais.

Salviano Santiago busca mostrar que é possível fazer a narração apenas como expectador, e que nem por isso vai deixar de ser uma narrativa.
O narrador que olha é a contradição e a redenção da palavra na época da imagem. Ele olha para que o seu olhar se recubra de palavra, constituindo uma narrativa. (SANTIAGO, 2002, p. 60)

Adelmo Ferreira de Abreu

Um comentário:

  1. Interessante Adelmo, vc viu que o texto de Joabson tb fala sobre as narrativas, cara não tou conseguindo postar nada depois quero sua ajuda talvez seja a senha nao sei. kkkk

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