UNIVERSIDADE DO ESTADO DA
BAHIA – UNEB
DEPARTAMENTE DE CIÊNCIAS
HUMANAS E TECNOLOGIAS
DCHT – CAMPUS XVI-IRECÊ
COLEGIADO DE LETRAS
Discentes[1]:
Bartira Matos
Leandro Pereira
Marco Antônio Oliveira
Maicon Martins
Rafael Mendes
Ronaldo Araújo
LÍNGUA FALADA E ESCRITA NO AMBIENTE ESCOLAR:
Abordagem do professor e assimilação do aluno.
Artigo
apresentado à professora Andréa Santos, como requisito de avaliação do
Seminário Interdisciplinar de Pesquisa III, relativo ao semestre letivo 2012.2,
orientado pela professora Guilermina Souza.
RESUMO: O presente artigo faz
uma reflexão sobre os resultados obtidos de uma pesquisa, a qual tem como
objetivo verificar se a fala interfere no processo de escrita, bem como a
metodologia do professor. Ressalta-se que o trabalho foi realizado com discentes
e docentes do 6º ao 9º ano de escolas públicas da região de Irecê e é fruto da
inquietação suscitada pelas dificuldades no que se refere à oralidade e
escrita. Para embasar teoricamente o estudo, partiu-se da leitura das obras Preconceito
Linguístico o que é e como se faz, A Norma Oculta, A língua de Eulália e Não é
errado falar assim, de Bagno e A sombra do caos: ensino de língua X tradição
gramatical, de Luís Percival de Leme Brito.
PALAVRAS-CHAVE:
Oralidade, escrita, professor, preconceito linguístico.
1.
Introdução
É instigante questionar que
em meio a tantos estudos voltados para o desenvolvimento e prática da escrita
pouco se vê ou discute a respeito da língua falada, suas formas, acontecimentos
e consequências na sociedade. Destaca-se a oralidade como fator extremamente
importante que se agrega ao estudo da língua portuguesa, e que ainda não possui
o destaque devido.
Segundo Bagno (1999), o estudo
da oralidade traz como base a utilização da fala como expressão mais
significativa para a comunicação e está ligado a cada individuo, assim não pode
ser estudada como um elemento exterior. Um dos problemas relacionados está
baseado na possibilidade de enfatizar o ensino da gramática normativa, e a
imposição da norma culta como único instrumento correto de expressão.
Os estudos relativos à
oralidade vêm crescendo nas últimas décadas, Marcos Bagno é um dos precursores
nessa área de pesquisa, professor e pesquisador, trabalha o problema do preconceito
linguístico relacionando as principais questões sociais, regionais e
ideológicas; discute diretamente o uso da gramática na sala de aula e suas
influências. Em suas obras o autor defende a variabilidade linguística, pois
considera que a língua falada é a primeira manifestação expressiva do ser
humano, logo, não pode ser deixada de lado.
Bagno (1999) caracteriza a
não aceitação das diferentes formas de falar do indivíduo, e as suas individualidades
assim como a desconsideração dos ambientes socioculturais interferentes nesse
processo como forma de preconceito linguístico, assim para a não aceitação
dessas individualidades o autor parte do princípio de que a fala é a manifestação
do ser humano que garante a comunicação direta entre as pessoas.
O trabalho visa estudar a
oralidade e suas práticas e interferências na sala de aula trazendo como
fundamento metodológico pesquisas realizadas em escolas públicas da região de
Irecê nas séries do 6º ao 9º ano. Esses estudos objetivam detectar as
diferenças entre a oralidade e a escrita, inclusive a prática docente diante da
realidade no ambiente escolar, assim como propor hipóteses para a resolução da
situação em foco. A pesquisa se baseia em algumas obras de Marcos Bagno que trata
de questões referentes ao estudo da língua, como preconceito linguístico,
padronização da língua que segundo ele é vista como pressuposto ideológico para
ascensão social. Bagno refere-se ao preconceito linguístico abordado em algumas
de suas obras como ridículo, pois a prática do preconceito não considera as diversidades
existentes entre as culturas e o contexto social presentes na vivência do
indivíduo.
A marginalização do
individuo é causada, na maioria das vezes, por fatores sociais e é
caracterizada pelas dificuldades de acessibilidade a educação. O sujeito cuja
fala é considerada errada vem de uma cultura não letrada, ou passou rapidamente
pela escola, a qual aplica métodos impositivos para o ensino da língua e não
reconhece a realidade do mesmo, vitimando-o com o preconceito pela sua forma
“errada” de falar.
Cabe a escola e instituições
educacionais a responsabilidade da aceitação das diversidades da fala condizente
com sua realidade essa perspectiva é reforçada por Bagno ao afirmar
É
preciso, portanto que a escola e todas as demais instituições voltadas para a
educação e a cultura abandonem esse mito da “unidade” do português no Brasil e
passe a reconhecer a verdadeira diversidade linguística de nosso país para
melhor planejarem suas politicas de ação junto à população amplamente
marginalizada dos falantes da variedade não padrão. (BAGNO,1999,p.32).
A partir desse conceito que
mostra a escola como fator importante no reconhecimento da diversidade linguística,
fez-se um trabalho de investigação no qual buscou identificar a prática da oralidade
como fator de influência na escrita assim como a reação dos alunos a essa
prática, bem como o comportamento do professor. A oralidade intervém na escrita
a partir do momento em que o aluno leva para a sala de aula suas vivências do
cotidiano, e isso é comum porque a fala está intimamente ligada às experiências
do dia-dia.
Foram entrevistados professores e alunos do 6º
ao 9º ano de escolas públicas da região de Irecê-Ba. Sendo elas: Colégio
Municipal Ricarte João Machado, situado no povoado de Sapecado de Presidente Dutra,
Escola Municipal Tenente Wilson na cidade de Irecê, Colégio Municipal Eufrásio
Vilela Dourado em Ibititá, e Colégio Municipal de Angical, no município de
Irecê. Os fundamentos aqui analisados se confirmam com o que diz Luiz Percival
Leme Britto na obra “A sombra do Caos”: Ensino de Língua X Tradição gramatical
que traz o seguinte conceito
[...] A distinção entre
escrita e oralidade não se reduz a questão do modo de representação. Em
primeiro lugar, porque nem tudo o que se fala se escreve; em segundo lugar
porque a escrita, por sua natureza pressupõe o afastamento espaço-temporal dos
interlocutores, o que implica uma reorganização da forma do discurso; em
terceiro lugar – e principalmente – porque a escrita, desde sua origem, foram
atribuídas funções especificas e diferentes das que couberam à fala. A escrita
constitui-se como um (ou vários) sistema discursivo, funcionando “como um
complemento da oralidade cumprindo certas atribuições que se situam além das
propriedades inerentes a esta”. (BRITTO, 1957,p.84)
Os
resultados obtidos evidenciam as situações verificadas e comprovam a utilização
da fala como influente no processo de escrita dos alunos. Isso comprovou as
inquietações, logo, os acontecimentos da oralidade na escrita são comuns à
realidade linguística.
2.
Relação
entre teoria e prática
Para compreender melhor a situação do ensino da oralidade
e escrita Bagno nesse fragmento afirma
É
claro que é preciso ensinar escrever, de acordo com a ortografia oficial, mas
não se pode fazer isso tentando criar uma língua falada “artificial” e
reprovando como “erradas” as pronuncias que são resultados da história social e
cultural das pessoas que falam a língua em cada canto do Brasil. (BAGNO,1999
p.69).
Essa definição compreende os usos da oralidade na sala de
aula, portanto Bagno aplica a realidade da interpretação na escola em que o professor
como mediador do conhecimento necessita ensinar a forma correta da escrita
esclarecendo as formas adequadas para a utilização na fala, porém é necessário
reconhecer como corretas as diferentes formas de falar do aluno, pois, esse
traz particularidades sociais, culturais que são refletidos no ato expressivo da
oralidade.
Uma das principais causas dessa interferência da
oralidade na escrita encontra se fundamentada no uso da gramática na sala de
aula, uma vez que o ensino dessa gramática impõe regras impossibilitando a
compreensão do aluno em relação às formas e aplicabilidades.
Para
cumprir bem a função de ensinar à escrita e a língua padrão, a escola precisa
livrar-se de vários mitos: o de que existe
uma forma “correta” de falar, o de que a fala de uma região é melhor do que de
outras, o de que a fala “correta” é a que se aproxima da fala escrita, o de que
o brasileiro fala mal o português, o de que o português é uma língua difícil, o
de que é preciso “consertar” a fala dos alunos para evitar que ele escreva
errado. Essas crenças insustentáveis produzem uma espécie de mutilação
cultural. (BAGNO, 1999, p.94).
O fragmento acima destaca um dos mitos nomeados por Bagno.
Aqui o foco principal faz referência ao mito que considera a língua portuguesa
como difícil. Na verdade essa ocorrência é devido a não adequação do estudo da
gramática a fala gerando dificuldade de expressão. Através do ensino em sala de
aula o aluno consegue fixar as regras gramaticais e dominar a escrita, mas no
momento da expressão na oralidade ele não fala da maneira como escreve, ou seja,
o aluno aprende que a frase correta seria “assistir ao filme”, mas sempre fala
“assistir o filme”, isso ocorre devido à interferência sofrida do meio em que
vive a sua língua sofre variação e se torna capaz de internalizar a fala de
acordo com suas realidades. Então se pressupõe que o ensino da gramática precisa
ser revisto e que a imposição de usos cheios de regras gramaticais pode fazer
confusão na cabeça do aluno.
Ao entender que os usos da oralidade na escrita resultam
das práticas do falante no quotidiano e, nota-se que a interferência dessa
oralidade na escrita dos alunos não compromete a compreensão das ideias dos
professores, nessa concepção Bagno fundamenta teorias para a defesa dos usos da
fala como forma de comunicação possíveis afirmando que o falante não necessita
se expressar de forma que atenda as necessidades gramaticais para que seja
compreendido, o que realmente deve ser abordado é a postura do professor quanto
ao ensino de diferentes formas adequadas para vários contextos além do respeito
mútuo as diversidades.
É através dessas diversidades que surgem novas expressões
causando renovação na língua falada. É o que explica Marcos Bagno
Enquanto a língua é um rio caudaloso,
longo e largo, que nunca se detém em seu curso, a gramática normativa é apenas
um iagapó, uma grande poça de água parada, um charco, um brejo, um terreno
alagadiço, à margem da língua. Enquanto a água do rio/língua, por estar em
movimento, se renova incessantemente, a água do igapó/ gramática normativa
envelhece e só renovará quando vier à próxima cheia [...]. (BAGNO,1999,p 20).
A língua muda no decorrer dos anos e as expressões faladas
vão ganhando novas formas, e é através da fala que se entende todo o processo
de formação para a compreensão da língua portuguesa do Brasil.
A língua falada,
entendida como a manifestação expressiva de comunicação do ser humano é
responsável pela transmissão de informações de forma concisa, contudo a língua traz
consigo a necessidade das mudanças necessárias, e é justamente no processo de
mutação que elas apresentam seus contrastes. Enquanto a fala se renova
constantemente, a escrita é arcaica e institucional só se renova através de
convenções sempre visando interesses econômicos, o novo acordo ortográfico é um
dos exemplos claro.
O
ensino tradicional da língua, no entanto quer que as pessoas falem sempre do
mesmo modo como os grandes escritores escreveram suas obras. A gramática
despreza totalmente os fenômenos da língua oral e quer impor a ferro e fogo a
língua literária como a única forma legitima de falar e escrever como a única
manifestação linguística que merece ser estudada. (BAGNO, 1999, p. 74).
Com o passar dos
tempos ocorrem mudanças na música, na moda, e por que não na língua? A língua
precisa estar interligada com as mudanças e acompanhar o desenvolvimento ao
longo da história. Os principais causadores dessas transformações são os
falantes. A fala se diferencia da escrita, pois, a primeira tem o poder de
mudar com o tempo enquanto a segunda manifesta-se nas teorias literárias arcaicas
que apenas mudam quando há convenções e buscam os interesses.
3.
Análise
dos resultados
A pesquisa surge da
inquietação de perceber as possíveis interferências da oralidade na escrita dos
alunos na sala de aula, assim como o modo como o professor trabalha essa
intrínseca relação. Inicialmente fez-se o seguinte questionamento aos
professores: há diferenças nas formas de falar dos alunos? Se houver como são
trabalhadas essas diferentes formas de falar?
Posteriormente, foi perguntada com base nas variações linguísticas se a
fala interferia no processo de escrita dos alunos. E para os alunos foi
apresentado que os estudos apontam que a forma de falar da língua portuguesa
varia de acordo com região, cultura e contexto sócio econômico. E, depois
disto, fez-se as seguintes perguntas: Quais os procedimentos usados pelos
professores para que determinadas expressões orais não influenciem na escrita?
O professor usa correção direta? O professor é cuidadoso nas suas intervenções?
Você se preocupa em adequar oralidade e escrita?
Os dados comprovaram que 100% dos
professores entrevistados relataram que existem diferenças na fala dos alunos,
ou seja, eles apresentam diversidades na oralidade e, segundo os professores,
isso ocorre devido às variedades culturais, regionais e sociais.
[...] Se é
verdade que no Brasil a língua falada pela grande maioria da população é o
português brasileiro (que muitos já gostariam de chamar simplesmente de
brasileiro), esse mesmo português brasileiro apresenta um alto grau de diversidade e variabilidade, não só por causa da
grande extensão territorial do país – que gera as diferenças regionais,
bastante conhecidas e também vitimas algumas delas, de muito preconceito -, mas
principalmente por causa da trágica injustiça social que fazia do Brasil, em
2006, o oitavo país com a pior distribuição de renda em todo mundo [...] (BAGNO,1999,p.28).
A expressão linguística oral e escrita representa o
retrato de um Brasil diversificado, heterogêneo onde a linguagem reflete
fatores culturais, sociais e da tradição oral de cada comunidade, de cada
família. A fala é uma manifestação intrínseca do ser humano, uma das primeiras
manifestações do indivíduo para se comunicar com os outros e com ambiente em
que vive. Compete à escola, respeitar as diferenças individuais, conduzir a
linguagem de modo que ela se concretize como instrumento útil, coerente para a
comunicação em diversos ambientes, e /ou circunstâncias. Observando-se os
aspectos cognitivos da fala e da escrita o professor pode trabalhar as
interferências alheias à escola, a bagagem trazida pelo aluno, no sentido de
aperfeiçoar sua capacidade de expressão.
Com a comprovação dessas diferenças na fala dos alunos,
partiu-se para a questão, que se refere à interferência da oralidade na escrita.
A pesquisa constata que 70% dos professores que foram questionados, afirmaram
que a oralidade interfere na escrita dos alunos e isso esclarece que essas
diferenças são ocorrências corriqueiras em diversos ambientes observados; na
escola, nas ruas, nas mais diversas instituições. Apenas 30% dos docentes
entrevistados responderam que a oralidade não interfere na escrita dos alunos,
pois, segundo esses professores, os alunos se preocupam em adequar oralidade e
escrita.
Em
relação à pergunta que refere a adequabilidade de escrita e oralidade ao
diversos contextos, um aluno de escola Municipal de Angical respondeu: “Eu
tento fazer como os professores pedem, mais é muito difícil por que já estou acostumado
a falar de um jeito e é ruim agora escrever diferente”. Através da resposta
mencionada pelo aluno se percebe as reais dificuldades encontradas pelo mesmo
em adequar as regras gramaticais ensinadas na escola, pois, este aluno está
inserido num contexto onde utiliza a fala como meio viável de expressão e que
adere as formas orais condizentes ao seu ambiente.
A interferência da oralidade encontrada remete também a
constatar os resultados observados pelos professores. A fala na escrita está direcionada
ao processo cognitivo; quando a criança nasce, a fala é a primeira manifestação,
ou seja, inicialmente utiliza-se a fala depois a escrita, por isso ela possui
maior facilidade que o adulto para aprender uma nova língua, assim a fala é inato
ao ser humano.
A fala é uma manifestação intrínseca do ser humano, por
isso não há como evitar essas interferências na escrita, o que realmente se
precisa é trabalhar a prática assim como a postura do mestre para que não haja
nenhuma forma de preconceito.
Mediante a pesquisa, comprova-se que tais manifestações
interferem na escrita. Avaliou-se nessa mesma pesquisa os procedimentos dos
professores quanto à correção das interferências da oralidade na escrita. Segundo
os alunos, 90% dos professores corrigem essas interferências de forma sútil, ou
seja, eles lidam de maneira compreensiva tentando amenizar o erro e corrigi-lo
na escrita. Em
Apenas 10% dos entrevistados detectou-se que os
professores utilizam correção direta, apresentando assim, um despreparo nas
abordagens em sala de aula.
4.
Postura
e abordagem do professor
Uma vez
comprovada os resultado de interferências da oralidade na escrita o estudo volta
se para o desafio do professor na abordagem dessa situação na sala de aula.
A escola como instituição educativa precisa
estar preparada para aceitar as diferenças e saber lidar com o enfrentamento de
situações no que se diz respeito ao estudo das variações da língua; para que
não permitam nenhuma manifestação de preconceito linguístico. Quanto à reação do professor em relação a
essas interferências da oralidade e escrita foi provado que a maioria age de
forma sútil enquanto a menor parte ainda se utiliza de metodologia não adequada
para o enfrentamento do problema de interferência entre fala e escrita.
Segundo
Bagno (1999), “As práticas de ensino variam muito de região para região, de
escola para escola, e até de professor para professor, de acordo com as
concepções pedagógicas adotadas”.
Aqui vale enfatizar que o professor como ser
mediador responsável pela formação do aluno precisa trata-lo de forma adequada
através do diálogo, além de conhecer as diversidades linguísticas e perceber os
fatores influentes na língua, assim também como investigar os processos de formação
da fala para realmente entender porque ocorrem essas interferências da
oralidade na escrita, sempre partindo do pressuposto de que a língua falada é a
representação daquilo que se vive nos ambientes frequentados pela classe social
a que pertence.
Outro
ponto em questão se dá pela absorção do aluno no que se refere à prática da
oralidade na escrita. Os resultados obtidos comprovaram que apesar da grande
maioria utilizar termos do quotidiano nos seus textos, uma pequena parte ainda
se preocupa em adequar a sua escrita de acordo com as normas gramaticais.
Quanto à legitimidade da língua compreende-se
que a escola não pode criar em momento algum a ideia de unidade linguística, ou
seja, a criação de uma única língua para todos os brasileiros. A respeito
disso, Bagno defende que os processos naturais da fala sejam devidamente respeitados.
Portanto cabe aos professores orientá-los sobre essas diversidades e suas
diferenças, pois, não existe língua certa ou errada e sim adequada e
inadequada.
5.
Considerações
finais
Em virtude da complexidade da pesquisa, os pontos aqui
abordados superaram as inquietações quanto à constatação da interferência da
oralidade na escrita observada em algumas escolas da região de Irecê, assim
como a postura do professor em relação à interferência da fala e escrita na sua
prática pedagógica.
Os conceitos dos
teóricos aqui trabalhados permitiram juntamente com a prática da pesquisa, a
possibilidade de uma nova perspectiva que irá contribuir para que as escolas e
os professores tenham uma nova visão no que se refere o enfretamento da escrita
com a oralidade no ambiente escolar e a partir daí passem a compreender a
oralidade como algo natural ocorrente da língua que o falante usa na sua
prática cotidiana.
Sendo
a escola uma instituição responsável pela formação do ser, precisa saber lidar
com as diferenças e semelhanças entre a linguagem oral e escrita. É papel
preponderante do professor, conduzir o conhecimento e a construção da
linguagem, respeitando o seu aspecto culto e coloquial. Deste modo, ajudará o
aluno a expressar-se segundo suas necessidades e as dos outros, inserindo-se
como ser pensante comunicativo em seu meio, em sua época, enfim, como autêntico
dono de sua própria linguagem.
Referências
BRITO, Luiz Percival Leme, A sombra do caos: ensino de língua x
tradição gramatical. Campinas,SP, ALB, mercado de letras, 1997.
BAGNO, Marcos. Preconceito Linguístico, como é e como se faz. São Paulo, Loyola,
1999.
BAGNO, Marcos. A língua de Eulália: Novela Sociolinguística. São Paulo, Contexto,
2008.
BAGNO, Marcos. Não é errado falar assim! Em defesa do português brasileiro. São
Paulo, Parábola, 2009.
MEDEIROS, João Bosco. Redação Científica: a prática de fichamentos, resumo, resenhas. São
Paulo: Atlas, 2012.
[1] Acadêmicos do terceiro semestre do
curso de Letras da Universidade do Estado da Bahia. barthy@gmail.com,
leandro-pereira87@hotmail.com, Maicon_journey@hotmail.com, mantonio@hotmail.com, rafaelsm.luz@hotmail.com,
ronaldoaraujo78@hotmail.com.
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